Escritor paraense de literatura marginal lança primeiro livro

Preto Michel é artista plástico, escritor, educador social é militante da cultura hip hop desde 2000. Começou seu trabalho com produção literária no ano de 2006, quando começou a ministrar oficinas de produções de fanzines em projetos sociais em ONGs, movimentos sociais e governo estadual.

Sua carreira de escritor começou no ano de 2010, quando participou da coletânea literária: Pelas Periferias do Brasil V.04, organizado pelo escritor Alessandro Buzo de São Paulo, sua estréia foi com o conto: O Assovio da Matintaperera, que traz uma narrativa da lenda da matintaperera dentro do cotidiano periférico dos bairros de Belém. Misturando e aproximando o regionalismo amazônico no contexto da literatura marginal.

Preto Michel hoje ministra oficina de literatura marginal (produção de textos: contos, poesias, crônicas e prosas) em escolas publicas da cidade Belém, onde usa as palavras como instrumento de conscientização, revolução e transformação social, cultural e intelectual entre crianças, adolescentes e adultos.

Agora fique com a entrevista cedida ao AçaYo.




AçaYo - Qual foi a inspiração para você escrever  esse livro?

Preto Michel - Eu sempre gostei de escrever, de fazer parodias em algumas musicas, quando eu entrei para o movimento hip hop eu também escrevi alguns raps, mas pela  correria da militância esses textos ficavam sempre dentro de um caderno, mas a minha inspiração foi quando comecei a viajar para outros estados, eu sempre via alguém com um livro, sempre ouvia varias historias, e em 2008 quando eu estava trabalhando e ministrando uma oficina na Vila da Barca (Bairro de Belém) eu fiquei muito impressionado com a historia de um garoto, então indo para casa peguei o caderno e escrevi o meu primeiro conto : O carequinha da vila da barca.

AçaYo - Então você começou a escrever esse livro a 4 anos atrás! Então, porque foi para as ruas só agora no final de 2012?

Preto Michel - Eu tive várias dificuldades, a primeira e que eu não tinha computador, então eu sempre escrevia a mão, isso cansava os dedos, outra era a militância no hip hop, na APACC e no meu trabalho como educador social, mas ele só saiu agora mesmo porque não tinha noção como escrever um livro, só fui ter esse contato com escritores mesmo em 2010, quando viajei para vários estados com uma galera muito boa da literatura marginal de são Paulo: Alessandro Buzo, Sacolinha, Sergio Vaz, Alan da rosa. Foi com esse convívio que eu comprei vários livros, participei de sarais em são Paulo, e falei: ‘caralho e isso que eu quero pra mim’. Então esse ano, essa foi aminha meta e coloquei na marra o livro.

AçaYo - E o Assovio da matintaperera você se inspirou em alguma mulher para escrever o conto?

Preto Michel - Eu me inspirei em varias mulheres, pra mim a matinta e bem presente na periferia, quando eu era moleque e tenho certeza que vi uma, em um interior perto de salinas, minha cidade natal, mas ouvi varias historias, uma amiga minha Gisele, em emprestou o TCC dela sobre a matintaperera, e as historias e entrevista que ela fez e do caralho, historias loucas que se tem mesmo no interior. Mas mesmo fascinado por essa historia, eu não quis repetir o que todos já conhecemos, então criei a minha matintaperera, com um contexto bem de baixada, onde ela aparece mas não e o personagem principal do conto..mas pow essa historia já rendeu muito, foi o conto que me mostrou a nível nacional, e o meu xodó hoje.

AçaYo - O que e mesmo a literatura marginal?

Preto Michel - A literatura marginal, eu costumo dizer que é uma vertente literária, mas para mim ela é um jeito questionador e divergente de escrever,  mesmo que seja na poesia nas crônicas nos contos ou em qualquer texto ela veio para nos naturalmente, nas ruas, nos bares no fundo de quintal nas batalhas de free style em vários lugares da periferia. Hoje as pessoas tem um olhar diferente, um pouco de curiosidade em ler algo da literatura marginal conseguimos ter mais respeito com obras conhecida nacionalmente como Ferrez, Sergio Vaz, porem na região norte ainda é muita desconhecida.

AçaYo - E a esfera governamental apóia ações literárias em Belém? 

Preto Michel - Eu desconheço, o governo investe pouco em educação, cultura, na verdade eles querem que nos da periferia sejam sempre os “ignorantes” nas escolas públicas só existem aulas de língua portuguesa e literatura na porrada, por vários problemas (mal salário, falta de apoio etc..) e ai as crianças, adolescentes e jovens acabam vendo o habito de escrever e ler uma coisa chata, então acabam não dando o real valor a literatura desde cedo, não existe incentivos para projetos sociais onde há oficinas de produções literária, você ver pouca oficinas de produções de poesias contos crônicas, se existe e tudo por contra própria de alguns educadores e escritores.

AçaYo - O livro saiu independente ou você teve apoio de alguma editora?

Preto Michel - Meu livro saiu pela editora cromos, que esta tem como editor chefe o escritor paraense Claudio Cardoso, que teve a sensibilidade que ver o projeto e abrir essa porta para mim, ele que trabalhou a edição gráfica do livro e esta me ajudando a entrar no mundo da literatura paraense, através dele o livro será lançado na feira pan amazônica do livro que é um evento grande de literatura aqui em Belém.  

AçaYo - Qual  e o recado que você deixa para as pessoas que não tem o habito de ler ?

Preto Michel - Que leia(kkkk) leia tudo até bula de remédio, porque se não ler pode existir alguma substancia que possa lhe fazer mal ao ingerir o remédio..leia tudo vá atrás de livros e leia um por semana, escreva também, seja textos, poesias, crônicas conte suas historias, e leia para seus irmãozinhos, primos depois faça isso com outras crianças, isso ajudará a vencer o monstro da ignorância.

CONTATOS:
Michel Sarmento- Preto Michel
Educador Social / Artista Plastico e Escritor
Presidente do Conselho Diretor da ONG- APACC
Fone: (91) 83479252/ 88287469
http://dabaixada2.blogspot.com/
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2 comentários:

  1. Muito boa entrevista parabéns ao blog "Açayo" e ao artista Preto Michel. È muito bom saber que aqui temos grandes artistas, que lutam e que correm a traz dos seus sonhos.

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  2. Parabens pela correria preto Michel


    RJ
    Máfia Nortista & Repeiros do NOrte

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